quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Poema

Usina

Como um punhado de estrelas dentro da noite,
as casas dos empreiteiros
perdem-se na festa verde
das espátulas compridas do canavial contente ...

E, ondulando, farfalhando,
o canavial se estende interminavelmente,
como um sonho esmeráldico de fartura,
da usina,
que, no centro,
estridula e apita e jazzbandiza ferros,
numa alucinação fantástica de mil músculos de aço
tinindo e retinindo, zoando e retumbando no abandono do vale.

Macabra mistura de polias, cordames, manivelas e rodas dentadas, furiosamente, diabolicamente, alucinadamente ...

Na baixada, como dois braços sondando as estrelas,
as duas chaminés contemplativas se empertigam.

1929.

Eurico Alves

(poeta baiano 1909/1974)

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