terça-feira, 11 de novembro de 2014

Eu acho é pouco dai-lhe DILMA


É sempre assim: depois da eleição, os aumentos

“Qual a novidade? Acabou a política, acabou a bondade. É sempre assim”.

Na fila da padaria, uma senhora bem posta na vida reclamava do aumento da gasolina. Um senhorzinho risonho, de pronto, rebateu: “Qual a novidade? Acabou a política, acabou a bondade. É sempre assim”.

Com o “acabou a política” quis dizer quando acaba a campanha eleitoral. Provocou risadas e concordância geral. Com sua fala descontraída, a voz do popular evidencia o óbvio – o povo conhece e sabe de todos os caminhos, descaminhos, manhas e artimanhas da política brasileira. E não só dela.

O povo sabe e debocha como uma espécie de resignação dolorida de saber-se peão no tabuleiro de uma sociedade que monotonamente repete comportamentos desrespeitosos cínicos e cruéis. Uma sociedade em processo acelerado de desumanização.

Ou não é sintoma de desumanização o registro de que, em cinco anos, a polícia brasileira matou mais do que a americana em 30? Nossos mortos de um quinquênio somam 11.197 – média de 6 por dia. A polícia gringa levou 30 anos para matar 11.090.

Duas de nossas principais capitais – São Paulo e Rio de Janeiro – lideram esses números (trágicos! Há outra palavra?) que, diariamente, vemos traduzido em dores expostas de familiares dos mortos da violência policial, particularmente nas regiões mais pobres de todas as cidades brasileiras.

“É sempre assim”. Vem de anos. Decresce ali, cresce acolá. O que deveria proteger também mata. E mata muito. Cada vez mais. Sem qualquer resquício de humanidade.

Não é desumanização assistir em tempo real, também diariamente, a crueldade, o abandono e o desrespeito no desatendimento aos doentes em hospitais e serviços de saúde em todos os estados brasileiros? Ano após ano. Só piorando.

O “é sempre assim” da saúde brasileira tem tantos anos quanto os “sempre assim” da violência e da corrupção. Há décadas, aparecem como principais “incômodos” do cidadão brasileiro. Por isso mesmo, como mantras, e também há décadas, estão na pauta das campanhas eleitorais. “Acabou a política” voltam para gaveta. É sempre assim.

Há ainda os “sempre assim” autônomos, que passam ao largo das campanhas eleitorais – a ineficiência e os maus serviços das telefônicas e das companhias aéreas, os desmandos dos bancos... São sempre assim. Ponto. Como os aumentos do pós-eleição. Acontecem e pronto.
(Imagem: Arquivo Google)