sábado, 6 de abril de 2013

Um tema atual







AS SECAS – Vinícius Gregório

É a seca matando nosso gado
E o governo a achar tudo normal…
Pois preferem falar em copa, em festa.
Isso aí dá mais voto, é mais legal.
E essas secas se encaixam feito luva:
Pois se vê no Sertão seca de chuva,
Nos políticos a seca de moral.

Cada esfera que culpe a outra esfera
O prefeito que diz que nada fez,
Pois o líder do estado é quem devia…
Esse aí, pra fugir, por sua vez,
Joga a culpa no líder da nação,
Entretanto nos tempos de eleição
Vêm os três pedir votos para os três.

E o pior é o silêncio que faz eco,
Maquiando a real situação.
Quando a chuva voltar, vejo os discursos:
“Pronto, gente, não há mais sequidão,
Nesta seca tomamos as medidas
E por isso salvamos muitas vidas…”
Quem quiser que acredite, mas eu não.

Vamos, gente, se movam, falem, gritem,
Cobrem mais dos políticos deste chão…
Ou preferem ver cenas como esta
Cada vez que vier novo verão?
Não se curvem pra vil politicagem,
Pois quem é deste chão, sem ter coragem,
Não merece ser filho do Sertão!

* * *



A SECA E A MÁ VONTADE POLÍTICA – Henrique Brandão

O acalanto maior
Pro coração sertanejo
É ver riacho em enchente
Da bica ouvir o gotejo
Porém quando a chuva atrasa
Deixa o sertão feito brasa
Queimando a alma da gente
Deixa a paisagem cinzenta
E a bicharada sedenta
Deitada no solo quente.

Nossa terra infelizmente
Sofre com a má vontade
De uma corja que castiga
Sem dó e sem piedade
Mas nosso povo com isso
Que nunca foi submisso
Segue de cabeça erguida
Rezando e olhando pro céu
Pois quem tem deus é fiel
E nem seca atrasa sua vida.

Não é por causa da seca
Que o povo sofre e lamenta
No ano seco ele sofre
Mas por ser forte ele aguenta
O que deixa indignado
É ver o povo cansado
De mentira e de promessa
Ser for pra ajudar, que venha
Se não, bem longe mantenha
Pois que tem fome, tem pressa.

Enquanto gastam milhões
Sem lembrar do sertanejo
Metem a cara na tv
Pra oferecer sobejos
Isso não é arrogância
Mas quem vive na abundância
Nosso sertão tudo tem
Não se anima com conversa
Pois nem queremos promessa
Nem esmola de ninguém.

Se a seca é realidade
Mude logo o pensamento
Irrigue esse solo fértil
Pra produzir alimento
Não deixe um povo feliz
Que construiu o país
Sofrer neste desatino
Pois mesmo com a estiagem
Não tem mais linda paisagem
Que a do solo nordestino.