quinta-feira, 10 de julho de 2014

Parabéns! cidade sorriso, minha querida SOUSA/pb

Vale dos Dinossauros

O texto abaixo foi publicado originalmente no site da Prefeitura de Sousa, e conta a História do Vale dos Dinossauros. As fotos foram disponibilizadas pela Secretaria de Meio Ambiente da Paraíba.

Transcorria o ano de 1897. O gado tinha fugido do roçado e o senhor Anísio Fausto da Silva saiu à procura dos animais. Na "passagem das pedras" viu uma trilha de grandes e pequenas pegadas, no leito do rio seco, e imaginou serem rastros de boi e ema. Mas para uma parte da população da pequena cidade de Sousa, ali perto, e das fazendas e municípios vizinhos, no sertão da Paraíba, aquelas pegadas tinham sido deixadas por outros bichos. 

Em 1924, o geólogo mineiro Luciano Jaquis de Morais, que trabalhava na antiga Inspetoria de Obras Contra a Seca, ouviu a historia fantástica e resolveu conhecer as pegadas. Assim que as viu, percebeu que não se tratava de boi, ema ou lobisomem; utilizando uma antiga máquina fotográfica "lambe-lambe", tirou várias fotografias e as enviou para um laboratório de pesquisa na Inglaterra. 

A resposta foi surpreendente: os rastros são de dinossauros do período Cretáceo (110 milhões de anos atrás), em perfeito estado de conservação. A partir de então iniciou-se a peregrinação de cientistas americanos ao local. Eles chegaram a recortar duas amostras de pegadas – uma em 1924 e a outra em 1930. Levaram para pesquisa e não devolveram mais (segundo a wikipedia, uma das amostras foi para os Estados Unidos e outra para a França; se fosse realizada hoje, essa remoção de material arqueológico constituiria crime ambiental). 

Aos poucos, as pegadas despertaram também a curiosidade dos brasileiros. Atualmente o sertão da Paraíba é uma das principais regiões de pesquisas sobre os dinossauros do Brasil, com importantes sítios arqueológicos e paleontológicos. Somente na vizinhança de Sousa são 21 sítios, com mais de 330 ocorrências de fósseis, pinturas rupestres e outros vestígios. Alguns locais já entraram nos roteiros oficiais do turismo. 

Protegidas por uma contenção de concreto – que desvia o Rio do Peixe na época da cheia para que não passe mais sobre as trilhas – as pegadas podem ser vista a partir de passarelas de observação. Os rastros de "boi e ema" estão em uma trilha composta de 53 pegadas, de 50 centímetros. A disposição das pegadas sugere sinais de luta entre eles, embora as pegadas possam ser de épocas diferentes. 

Ainda na região de Sousa existem muitos sítios, a maioria descoberta por Gioseppe Leonardi, paleontólogo e padre italiano, que em 1975 aportou na Paraíba. "A gente ficava três a quatro dias fora, ele sempre pedia informações a vaqueiros e caçadores, atrás de eventuais pistas. Levávamos dois pãezinhos por dia – um para cada – e um cantil com água. Ás vezes quando a fome apertava, eu fazia uma mistura de feijão, arroz, tripa e mocotó", relembra Robson Marques, guia do paleontólogo. Leonardi voltou a morar na Itália e uma vez por ano vem ao Vale dos Dinossauros para rever amigos e fazer novas pesquisas. 

Ao vagar por serras e vales, assim como faziam os dinossauros, em busca de vestígios dos animais, os dois descobriram novos sítios importantes, bem próximos a cidade.
No serrote Verde, conhecido como Sítio Pimenta, encontraram sete pegadas de saurópodos, um dinossauro de pescoço comprido, e 4 pegadas de stegossaurus, que tinham placas ósseas nas costas eram do tamanho de um ônibus. 
A segunda trilha fica no Serrote do Letreiro com cinco pegas de carnossauros em alto relevo, três bem nítidas e duas pouco danificadas pelas águas das chuvas. A datação indica que todas são do período Cretáceo Inferior (110 a 120 milhões de atrás).

A grande barba grisalha e jeito despojado de viver rendem ao carismático Robson Marques fama de maluco, o "Velho do Rio". Ele passa horas a fio cavando a terra e examinando pedras, em busca de novos vestígios de dinossauros. Com persistência e dedicação acabou descobrindo, no final de 2004, novas pegadas de carnossauros, alguns quilômetros abaixo da trilha principal do iguanodonte, no Rio do Peixe. Ele manifestou-se assim: "Cada nova pegada me fazia sentir como se estivesse descobrindo um mundo."